A Associação Agrícola e Comercial de Itaperuna no processo de organização econômica e social do município
A fundação da Associação Agrícola e Comercial de Itaperuna, no final da década de 1920, insere-se em um momento decisivo da história econômica e social do município. Conforme registrado por Porfírio Henriques em A Terra da Promissão, Itaperuna vivia uma fase de reorganização estrutural, marcada pelo declínio do ciclo do café, pela necessidade de diversificação produtiva e pela consolidação do município como polo regional do Noroeste Fluminense.
Nesse contexto, a associação surgiu como um instrumento de articulação entre produtores rurais e comerciantes urbanos, reunindo fazendeiros, empresários, lideranças políticas e profissionais liberais em torno de objetivos comuns: defesa de interesses econômicos locais, promoção do desenvolvimento regional e fortalecimento institucional da cidade. O associativismo civil, naquele período, representava uma das principais formas de participação organizada da sociedade, antecedendo a estrutura sindical moderna.
As fotografias como registro histórico da associação

As fotografias históricas analisadas reforçam de maneira visual e documental o papel da Associação Agrícola e Comercial de Itaperuna. As imagens mostram grandes assembleias realizadas em espaços amplos, com dezenas — possivelmente centenas — de participantes, quase todos trajando ternos, gravatas e roupas formais. Tal indumentária não apenas reflete os costumes da época, mas evidencia o caráter solene e institucional dos encontros.

Observa-se, nas imagens, a presença de lideranças destacadas posicionadas nas primeiras fileiras, além de mesas, documentos e um ambiente organizado, sugerindo reuniões deliberativas, congressos ou assembleias gerais. Esses registros fotográficos corroboram a descrição feita por Porfírio Henriques, que destaca a existência de uma elite local engajada em discutir os rumos econômicos e administrativos do município, sobretudo em momentos de crise e transição.
Diálogo com A Terra da Promissão
Em A Terra da Promissão, o autor enfatiza que Itaperuna se destacava como centro de convergência econômica, política e social da região. Ele descreve a atuação de associações civis como fundamentais para a afirmação do protagonismo municipal, sobretudo em um período de redefinição das bases produtivas locais. A Associação Agrícola e Comercial aparece, nesse sentido, como expressão concreta desse esforço coletivo de organização e planejamento.
O livro ressalta ainda que tais entidades não se limitavam à defesa de interesses econômicos imediatos, mas desempenhavam também um papel educativo, político e social, promovendo debates, difundindo ideias de progresso e incentivando práticas consideradas modernas para a época.
Considerações finais
A análise conjunta das fotografias históricas e do relato de A Terra da Promissão permite compreender a Associação Agrícola e Comercial de Itaperuna como uma instituição-chave no processo de modernização local. Ela simboliza o momento em que o município buscou, por meio da organização coletiva de suas lideranças, responder aos desafios econômicos do início do século XX e consolidar-se como referência regional.
Assim, mais do que uma entidade econômica, a associação representou um espaço de construção de identidade, poder e projeto de futuro para Itaperuna — um legado que permanece registrado tanto na memória escrita quanto nas imagens que atravessaram o tempo.
As fotografias foram restauradas por I.A..
Elas fazem parte do livro A Terra da Promissão – parte escrito pelo Major Porphírio Henriques e terminado por seu filho, Jary Henriques.